A história de S. Vicente

São Vicente só subiu ao posto de freguesia em 6 de Dezembro de 1933. Juntava-se, então, à numerosa família territorial que compõe o concelho de Braga, ou seja, é uma das suas 62 freguesias. Urbana, juntamente com outras oito freguesias, S. Vicente é forte em comércio e serviços e rica em registos que dão respeitável antiguidade, pese embora só tenha visto a restauração da sua paróquia em 1926.

Esta freguesia bracarense, tem como vizinhas S. Vítor (a leste), Palmeira (a nordeste), Dume (a noroeste), Sé (a ocidente) e S. João do Souto e S. José de S. Lázaro (ambas a sul).

 

Com quase dezasseis mil almas, a freguesia de S. Vicente, que ocupa 142 hectares, tem a maioria da sua população espalhada por bairros e lugares: Misericórdia, Nossa Senhora do Monte, Andorinhas e Quinta das Fontainhas, Boavista, Confeiteira e S. Romão.

 

Rezam documentos históricos que numa extremidade que S. Vicente partilha com a freguesia de Dume, haverá um outeiro castrejo com vestígios de estruturas defensivas, hoje pouco pronunciadas. Nessa elevação existiria o "Castro Máximo", já referido em termos documentais no ano de 873. Actualmente, tal outeiro está muito alterado devido à exploração de granitos.

 

Como referência da romanização, refiram-se os fragmentos de tijolo e tégula que terão sido recolhidos no lugar de Montariol, junto à designada Fonte de S. Vicente. No Museu Pio XII há uma ara votiva dada como proveniente desse lugar. Outro vestígio será um fragmento de inscrição romana encaixado "sob as escadas fronteiras à Igreja Paroquial de S. Vicente", conforme A. Bellino noticiou em 1895.

 

As raízes de S. Vicente são tão desconhecidas como as do concelho de que, urbanamente, faz parte. E ninguém tem respostas sobre as origens e os primeiros povos que povoaram Braga, cuja história é bimilenária, mas recheada de lendas que a ausência de documentação forte sustenta.

 

Segundo dados documentais, a história do concelho bracarense só se pode fazer, em consciência, a partir da dominação romana. Graças ao geógrafo Cláudio Ptolomeu pode ter-se como referência certa que, quando as legiões romanas "avassalaram a Península, vieram encontrar em Braga uns povos a quem denominaram de Bracaros".

 

"Povo heróico e valente, sediados nos cimos dos montes, nos castros, depressa desceram dos píncaros e assimilaram nova civilização trazida pelos romanos. E de tal modo assimilaram que, quando César Augusto, os pacificou - 45 anos aC - lhes concedeu prerrogativas especiais, considerando-os, tais como os cidadãos de Roma e à cidade deu o título de Bracara Augusta", lê-se em documentos oficiais.

 

"Depois, mais tarde, ao dividirem a península, criando a Província da Galécia, o imperador romano Caracala eleva a Bracara Augusta a capital da nova província", continuam.

 

SÃO VICENTE ORAGO DA FREGUESIA

 

Em termos de património, seria grave aqui não referir, à partida, a Casa do Vale das Flores ou de Infias, conjunto da Praça Mouzinho de Albuquerque ou Campo Novo, a Igreja de S. Vicente, a Igreja do Carmo (que mereceu, recentemente, obras de restauro no seu interior), a Igreja de Santa Teresa, a Capela de S. Romão, o Nicho do Senhor do Socorro e a Fonte do Mundo.

 

E, quanto mais não seja pela curiosidade que devoções locais merecem, lembrem-se os nichos do Senhor das Ânsias, de Nossa Senhora do Monte (no bairro com o mesmo nome), do Sagrado Coração de Maria (no Bairro da Misericórdia) e a Capela do Senhor das Injúrias como motivos de visita.

 

A Casa do Vale das Flores (ou de Infias) localiza-se num edifício de arquitectura seiscentista, num interessante conjunto de três corpos que um muro ameado circunda. No seu portal, há um brasão com as armas de Pacheco Pereira e Robys. Desde 1977, é considerado Imóvel de Interesse Público.

 

A parte mais preciosa da História da freguesia de S. Vicente estará, todavia, gravada numa pedra da igreja paroquial. Melhor, estará registada numa das suas cartelas (pedras lapidares de fachada). Nela se gravou o ano de 618 como data do aparecimento de um templo naquele local e que terá sido dedicado ao mártir São Vicente, orago da freguesia. Em tal pedra está escrito: "Aqui descansa Remismuera desde o primeiro de Maio de 618, dia de segunda-feira, em paz, amén". Diz-se que o monumento autêntico do Cristianismo em Braga.

 

A pedra que hoje encontramos embutida na parede da sacristia da igreja é a única prova de que tal templo existiu.

 

Foi em 1565 que a igreja paroquial foi reedificada, passando a filial da Santa Igreja de Roma em 1598 e ganhando respectivos privilégios. Em 1691, a igreja paroquial foi objecto de restauro e hoje pode admirar-se a sua frontaria barroca, que contém um exuberante trabalho de cantaria e onde se pode ver uma imagem do padroeiro.

 

Dentro do templo, aprecie-se os azulejos com quadras da vida de S. Vicente, o retábulo da capela-mor (de Miguel Coelho), a talha do arco-cruzeiro, o coro e órgão (tudo desenhado por Carlos Amarante. Diga-se que a igreja paroquial de S. Vicente foi considerada Imóvel de Interesse Público em 1986.

 

Os miradouros do Sagrado Coração de Jesus (na Rua de Camões) e de Monte Castro (na Avenida Artur Soares) são outros dos imóveis de interesse turístico.

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