A Heráldica

A Heráldica:
É um símbolo iconográfico de um determinado grupo; a iconografia de uma época e uma sociedade, como que uma assinatura do seu tempo. A heráldica Portuguesa sofre transformações no séc. XIV e XV, devido à regulamentação da heráldica no poder central.

 

 

 

 

 

 

 

A heráldica portuguesa e a sua evolução:
Apresenta-se diferente do contexto europeu no plano cronológico. O que nos chega é a visão eclesiástica de franceses, ingleses e alemães, não de gente da Península Ibérica. É por iniciativa popular que a heráldica começa a aparecer novamente. O seu conhecimento era pequeno e distorcido no que respeitava o período medieval até ao séc. XVI.
A sua primeira fase corresponde aos finais do séc. XII da década de setenta e meados do séc. XIII; é um período de origens marcado pela sigilografia (estudo de selos), que nos levanta alguma problemática; embora a documentação régia tenha sido poupada, pode-se observar que a família real foi marcada pela heráldica. Na década de quarenta do séc. XIII aparecem documentos datáveis pertencentes a uma família, a dos Sousas (claustro do silêncio de D. Dinis, são pedras tumulares de seu mordomo-mor).
Desde meados do séc. XIII, e até final da primeira dinastia, a heráldica torna-se mais aperfeiçoada. D. Afonso III exerce um papel importante: há uma melhoria desde que o rei vem para Portugal; traz uma influência francesa, traz um arauto, começa a complexidade do desenho heráldico, torna a corte portuguesa culta. D. Afonso III é o primeiro monarca com selo heráldico equestre.
Na segunda metade do séc. XIV surgem os primeiros armoriais; já em finais do séc. XIV surgem na igreja de Nossa Senhora da Oliveira em Guimarães; no travejamento, as armas das famílias que acompanharam na guerra de Aljubarrota. Em 1415, D. João I envia um rei de armas ao concílio de Constanza, que cria um armorial dos participantes, o Livro dos Arautos.
Ao longo do séc. XV a concepção do brasão de armas é assumido pela realeza. Nos últimos anos deste mesmo século surge o livro do armeiro –mor; pressupõe-se ser de D. João V. No séc. XVI, durante o reinado de D. Manuel, há uma reforma do reino e em 1511 traçam-se as armas reais no regimento; desde este período até agora estas não mudam. A reforma régia encontra-se na Torre do Tombo; lá encontra-se documentação com grande importância de diferentes regiões, iluminuras de grande qualidade, livros de leitura nobre, livro das fortalezas de Duarte D’armas, bíblia dos Jerónimos. Surge um novo armorial com as armas do reino. É também nesta altura que se dá a construção da sala dos brasões do Palácio Nacional de Sintra; lá estão representadas setenta e duas famílias da corte manuelina. Com a morte de D. Manuel termina um período e a heráldica portuguesa também.
Deve-se atender a que a história portuguesa é acompanhada de um factor sagrado/mítico que também compunha o escudo de armas português – os escudetes representavam as cinco chagas de Cristo; os trinta dinheiros, a quantia pela qual Judas vendeu Cristo; e as bordaduras dos castelos, a conquista do Algarve e expulsão dos muçulmanos do território português. A evolução das armas principais serve como elemento de datação. As primeiras armas reais datam do final do reinado de D. Afonso Henriques; eram doze escudetes em forma de cruz, cada um com cinco bezantes (discos). Já em 1183, nos selos de D. Sancho, aparecem cinco escudetes e varia o número de discos; no reinado de D. Afonso III surgem dezasseis e onze bezantes. D. Duarte fixa cinco bezantes por escrito. D. João I usa a cruz de Avis por baixo e D. João II suspende a anterior e estabelece a colocação vertical das quinas laterais do escudo, uma vez que os escudetes derribados poderiam ser heraldicamente considerados como sinal de bastardia ou derrota. No reinado de D. Manuel surge, ainda, a esfera armilar de ouro, que representa a expansão dos Portugueses ao longo dos séculos XV e XVI.

Descrição:
Escudo de armas de S. Vicente: Escudo Peninsular de campo em prata com dois corvos a negro, afrontados, carregados com olhos a vermelho. Coroado a mural de prata de três torres. Listel branco, com legenda em maiúsculas a negro: “BRAGA – S. VICENTE”.
Os corvos representam o orago e topónimo da freguesia - S. Vicente.

 

Ordenação heráldica do brasão e bandeira publicada no Diário da República, III Série de 08/08/2003
Armas - Escudo de prata, com dois corvos de negro, o da dextra volvido, animados de vermelho. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco com a legenda em maiúsculas a negro: “ BRAGA – S. VICENTE “.
Bandeira - de vermelho. Cordão e borlas de prata e vermelho. Haste e lança de ouro.

 


Bandeira para hastear em edifícios

 


Estandarte para cerimónias e cortejos

 

 

 

Bibliografia:
MATTOS, Armando de, Manual de Heráldica Portuguesa, Livraria Fernando Machado, Porto, 1941.
TÁVORA, D.Luís Gonzaga de Lancastre e; Introdução ao Estudo da Heráldica, ICALP, 1992.

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