Voluntariado

 


 

O voluntariado de proximidade de S. Vicente foi, sem margem para dúvidas, a grande aposta actual executivo vicentino. Existam muitos problemas a serem combatidos pelo “exército” de voluntárias de S. Vicente. “O acompanhamento é constante e os resultados já estão à vista”, revelou Eduarda Pereira, coordenadora do voluntariado de S. Vicente. Já foram identificados problemas que entretanto já foram solucionados. Para ajudar a combater este flagelo social do isolamento dos idosos e das suas carências, a Junta de S. Vicente vai, em breve, criar a loja social para dar mais uma ajuda. Esta aposta demonstra que o executivo vicentino revela grande sensibilidade social.

 

Voluntariado de proximidade é aposta ganha

Pergunta: Quantas pessoas exercem o voluntariado neste momento?

Eduarda Pereira (EP): Neste momento temos 35 voluntárias. Das 35 voluntárias 10 voluntárias, neste momento estão sem utentes, não porque não tenhamos utentes à espera de acompanhamento, o que acontece é que os horários que aquelas voluntárias têm disponíveis para dar ao voluntariado se resumem ao fim de semana (sábado e domingo). Todavia, já foram encontradas soluções para colmatar essa situação.

P: Pode-nos revelar as soluções encontradas?

EP: A solução passa pela criação de uma loja social que vai ter como objetivo colocar à disposição daqueles que mais necessitam roupas a preços simbólicos. Algumas destas 10 voluntárias irão assegurar, ao fim de semana, a abertura da loja e o acompanhamento dos cidadãos carenciados na escolha dos bens que mais necessitam. Trata-se de uma iniciativa que de forma diferente vai contribuir para ajudar aqueles que neste momento têm mais dificuldades.

P: Quais as principais dificuldades encontradas no contacto com as pessoas?

EP: As grandes dificuldades prendem-se essencialmente com o contacto com os familiares dos utentes e com algumas condições de habitabilidade que alguns utentes enfrentam. Como deve calcular alguns dos nossos utentes vivem, de certa forma, esquecidos por parte dos seus filhos ou outros familiares. E isso constitui um constrangimento para com as nossas voluntárias. Ainda recentemente uma voluntária teve necessidade de entrar em contacto com o filho da sua utente a propósito de algumas alterações de comportamento e que a sua solução passaria por uma decisão do seu filho. Contudo, e apesar da preocupação da voluntária com a situação aquele, pura e simplesmente, não mostrou interesse em encontrar uma solução para a resolução do caso, chegando, mesmo, ao ponto dizer às voluntárias para serem elas a resolver o problema nem tão pouco mostrou interesse em conhecer as voluntárias que dão apoio à sua mãe. Situação esta que, escusado será de dizer, que deixou perplexas as voluntárias. De facto, esta é uma preocupação que nos assola e mostra a falência em que se encontram os afectos para com as pessoas idosas e o conceito de família que ao longo do tempo tem vindo a esvanecer-se.

Por outro lado, as condições de habitabilidade de alguns utentes também nos preocupam, pois não tendo estes recursos económicos para fazerem obras em casa, alguns vivem em habitações muito degradadas. É o caso de uma utente que vive numa casa cheia de humidade com as paredes em muito mau estado de conservação, não estando as janelas nem portas calafetadas o que origina entrada de muito frio, a ponto de as voluntárias que lhe vão dar apoio saírem de lá cheias de frio. Dada a fragilidade do sector da construção civil, neste momento, é difícil encontrar um construtor civil que estivesse disposto a dar de forma gratuita uma ajuda na solução deste problema. Vamos ter de pensar e arranjar uma solução para esse caso, embora não se apresente de fácil resolução.

P: As voluntárias estão satisfeitas com o trabalho desenvolvido?

EP: Sem dúvida alguma. Elas vivem e sentem uma grande gratificação com o trabalho que vêm a desenvolver. Aliás algumas delas dizem mesmo que as suas vidas não faziam sentido se não fizessem este voluntariado. Sabe, é muito bom sentirmos que alguém espera ansiosamente por nós, que está à espera daquele mimo que mais ninguém lho dá. Por isso, algumas utentes dizem: chegaram os meus anjos. Há palavras mais deliciosas que estas? Estas palavras enchem a alma de qualquer pessoa e fazem-nas sentir muito bem, bem pelo bem que fazem aos outros.

P: Como avalia esta iniciativa da Junta de Freguesia de S. Vicente?

EP: É de louvar a iniciativa levada a cabo pela Junta de Freguesia de S. Vicente. Acho que a Junta de Freguesia tem o presidente que merecia, um Presidente preocupado com as necessidades da sua população. Só uma pessoa sensível aos problemas dos outros pode ter uma atitude assim.

P: O que pode melhorar neste serviço de apoio social?

EP: O tempo é sempre o melhor factor para nos mostrar o que devemos mudar ou melhorar. Posso-lhe dizer que a nossa equipa de voluntariado é uma equipa forte e coesa e que está aberta a novas propostas. Assim, como a coordenação do voluntariado espera que as voluntárias apresentem propostas de melhoria. De momento a equipa está a trabalhar muito bem. Contudo, um factor que se pode traduzir num melhoramento era um maior acompanhamento por parte da coordenação no terreno, isto é, um elemento da coordenação acompanhar de vez em quando as voluntárias nas suas visitas a fim de se inteirar da satisfação do trabalho desenvolvido por cada equipa. Este é um aspeto que queremos implementar brevemente. Gostaria ainda de referir que recentemente foi aceite por um centro de formação de cabeleireiros, faltando só estabelecer o protocolo, contribuir de forma gratuita com os seus préstimos nos cuidados dos cabelos das nossas utentes. Esta iniciativa parece-nos muito positiva porque influência de forma positiva a auto estima das nossas utentes, o que muito nos congratula.

P: É cada vez mais necessário este tipo de apoio com a situação atual do País?

EP: Lamentavelmente é. E digo lamentavelmente porque a crise económica que se vive vai cada vez mais vai afetar as pessoas quer ao nível económico quer ao nível do seu equilíbrio psicológico. Sabe, uma grande parte dos nossos utentes sofre de solidão e de perturbações psicológicas. Não é por acaso que, como sabe, ultimamente têm vindo a conhecer-se alguns dramas sociais que são fruto desta situação que vivemos presentemente. Entendo que a nossa missão, enquanto voluntárias de proximidade, pode ser a atitude certa no momento certo. Uma palavra de conforto, de esperança, de alento, pode fazer toda a diferença. É certo que as palavras só por si não chegam se as pessoas estiverem a passar fome. Mas também aí estamos todos em conjunto a pensar em soluções para colmatar essas necessidades que a seu tempo daremos a conhecer.

P: Ainda há muita pobreza envergonhada? Quem são estas pessoas?

EP: Pobreza envergonhada, penso que, sempre houve. Possivelmente hoje há mais. Se uma família que tinha a sua vida estabilizada de repente se vê a braços com uma situação de desemprego, é evidente que vai fazer tudo por tudo para que aqueles que estão ao seu redor não se apercebam disto, até ao momento em que vão ter de recorrer a ajuda externa. Pois estas pessoas são precisamente a classe média.

P: Reúnem regularmente para fazer avaliações periódicas ao trabalho desenvolvido?

EP: Reunimos uma vez por mês. Essa reunião tem como objetivo dar a conhecer, à coordenação do voluntariado, o trabalho desenvolvido durante o mês, através da elaboração de um relatório. O referido relatório deve dar conta da situação do utente, no sentido da sua manutenção, melhoramento ou agravamento. Essas reuniões são de suma importância pois são a partir delas que podemos tomar decisões.

P: Há muitos idosos a viverem sozinhos em S. Vicente?

EP: Sabemos que existem idosos, em S. Vicente, a viver sozinhos, mas neste momento não lhe sei precisar quantos são. Neste momento essa é uma nossa preocupação e nesse sentido já falei com o sr. Presidente da Junta de Freguesia no sentido de saber até que ponto a Junta nos podia fornecer elementos que nos permitisse obter essa informação. A nossa intenção na obtenção desta informação prende-se com o nosso ensejo de podermos apoiar mais gente e desta forma contribuir para uma melhor vida para aqueles que se encontram tão sós.

 

Jorge Paraíso

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